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  • Foto do escritorHamasul News

Um síndico de valor: Fábio Quintanilha, fundador do Síndicos de Valor, fala de sua trajetória


Nesta edição, conversamos com Fábio Quintanilha: graduado em Publicidade e Marketing, MBA em Gestão Empresarial, Pós em Parceiros de Excelência e Síndico com formação técnica pelo SECOVI-SC. Atua desde 2016 no mercado condominial, é empresário do ramo de tecnologia e idealizador do projeto Síndicos de Valor (@sindicosdevalor). Confira:


Conte um pouco da sua trajetória profissional, e como foi que você se envolveu com a área condominial:

Sou de Campo Grande (MS), em 2007 me mudei para Florianópolis (SC), e sempre atuei na área de telecomunicações. Depois, fui convidado para ir para o mercado de varejo, por rede de supermercados, onde fiquei durante uns cinco anos. Aí em 2016, surgiu outro convite para trabalhar na área condominial. Eu, até então, apenas morava em condomínio, e o máximo que eu conhecia da área era como morador. Então, fui estudar, percebi que poderia ser desafiador e foi então que identifiquei que o mercado condominial é um dos poucos que não sofre com crise econômica; assim como farmácias, mercados, postos de combustível, esse mercado continua sendo contratado e com os serviços consumidos. Isso me trouxe uma segurança. Então pensei que, ao invés de vender um produto como no supermercado, onde as pessoas olham, colocam no carrinho e levam, eu agora iria trabalhar ofertando um serviço. Trabalhei em uma empresa na área condominial que oferecia, além da administração, 13 produtos diferentes, então foi uma escola, ao assumir a gerência comercial tive que desenvolver habilidades comerciais para cada um desses produtos, o que me deu uma bagagem muito boa. Em 2019, migrei novamente para uma empresa de tecnologia, na área de portaria remota, e encontrei muita resistência no mercado. Então, busquei fazer alguma coisa para me conectar com o síndico, e foi então que surgiu o primeiro evento que na época chamava “Formando Síndicos de Valor”. Foi um evento presencial que criei, paralelo à empresa onde eu trabalhava, pois eu não queria associar as duas coisas, queria criar um evento de relacionamento e conteúdo com o síndico. Fomos criando um evento por mês, e após algum tempo, o mercado já estava comentando sobre o nível de qualidade do evento e dos palestrantes. Mas aí veio a pandemia, e foi justamente quando tivemos que cancelar os próximos eventos. Mas o fato é que, de todos os males que a pandemia trouxe, ela fez a gente avançar muito na tecnologia. Foi nessa hora que fui para as redes sociais e criei o Síndicos de Valor e comecei a criar conteúdo para o Instagram. E foi assim que transformei um projeto que antes eram só encontros presenciais em um projeto muito maior. Passei a receber alguns convites de grandes portais do país para participar de lives, de matérias. E foi também em plena pandemia que eu me tornei síndico também do meu prédio – e aí comecei a vivenciar na prática tudo aquilo que eu estava levando de conteúdo para o meu público. Hoje, trabalhamos em três frentes: geração de conteúdo para redes sociais, produção de eventos presenciais para o Brasil inteiro, e um espaço de coworking para síndicos que inauguramos em Porto Alegre. E ainda devemos lançar cursos de formação específicos para capacitação de síndicos, para o síndico aprender sobre assuntos específicos que deseje desenvolver.


E hoje, qual o objetivo principal do ‘Síndicos de Valor’?

Primeiro, começamos com um conteúdo um pouco diferente daquele que é encontrado mais facilmente no mercado: fomos mais direcionados para o empoderamento do síndico; a fazer o síndico enxergar o mercado condominial como uma oportunidade de sucesso profissional. Queremos que o síndico seja síndico não porque ninguém mais quis, mas porque ser síndico pode dar dinheiro, pode transformar a carreira dele e a vida da família dele. Por isso, trazemos uma visão muito mais corporativa para o universo condominial. Ensinamos o síndico, por exemplo, de como ele pode ser eleito numa assembleia, a conquistar contatos, a obter fonte de renda e como ajuda-lo a crescer como profissional. E com essa visão mais corporativa, quem ganha são os condôminos, pois acabam tendo um profissional muito mais voltado para a gestão de qualidade e estratégica, não tanto a operacional.


É interessante, pois é uma mudança de visão do mercado: existe o síndico que enxerga aquilo como mais uma coisa que ele pode fazer na vida dele e aquele que entende que pode abraçar isso como sua profissão principal.

Exatamente. Eu costumo dizer que existe o síndico multitarefa, que faz um pouco de tudo, e o multidisciplinar, que entende um pouco de tudo. A diferença é que o multidisciplinar sabe como contratar bons prestadores de serviço que possam executar as tarefas com qualidade, e sabe como cobrar e não vai ser enganado; e o multitarefa quer meter a ‘mão na massa’, mas é uma visão antiga, ultrapassada que acredita que, se o morador ver ele trocando uma lâmpada, vai achar que ele é um bom síndico. Mas na verdade, essa tarefa não é uma tarefa dele. Eu costumo comparar com o corporativo, onde um gerente precisa entender as linhas de trabalho abaixo dele, mas não tem que ir lá executar, pois a tarefa dele é gerir. E o síndico que está nessa parte estratégica consegue escalar mais rápido no mercado, pois não está amarrado ao operacional – ele já capacitou a equipe dele, já tem uma administradora que já sabe como executar as tarefas daquele condomínio...


E o que você acha que o condomínio ganha com esse profissional mais multidisciplinar?

Primeira coisa é segurança; e não só no sentido de impedir um invasor, por exemplo, mas de garantir os serviços funcionando, as manutenções em dia... E com isso, o condômino tem como benefício a valorização do seu imóvel. O bom síndico tem a capacidade de gerar valor ao condomínio com os projetos que ele executa, não só na estrutura, mas na harmonia entre os moradores. O síndico mais capacitado é bom de comunicação, sabe fazer a política de maneira correta e sabe criar harmonia dentro do condomínio.


E como foi sua experiência particular em se tornar síndico? Você já tinha sua experiência profissional na área, mas a sua visão mudou?

Quando entrei para a área condominial em 2016, eu me formei síndico profissional através do SECOVI-SC. Quando eu me tornei síndico do meu prédio, percebi que precisaria ter autenticidade, continuar defendendo os meus valores, continuar sendo honesto, e percebi que, quando preciso dizer “não” para um morador, não é o fato de dizer ‘não’, mas como dizer. A pessoa pode não concordar com você, mas se você conversar de forma coerente, ela irá aceitar. Agora, é uma utopia achar que vai agradar a todos. Isso eu demorei um pouco a aprender. Acabei tendo que aceitar que não são todas as pessoas que vão concordar contigo, e está tudo bem! Você deve saber que está fazendo o melhor e que o que está fazendo é pelo bem da maioria dos condôminos e que não está prejudicando ninguém. O cuidado é: não deixe o coração te enganar. Você está como síndico, você não é síndico, e o seu propósito é melhorar a vida do condomínio. Não é pelo seu orgulho ou pelo seu ego, é para servir às pessoas.

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