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Psicóloga dá dicas de como se adaptar neste momento de isolamento social

A expansão rápida da pandemia da covid-19 mudou a rotina das famílias brasileiras. Quem não trabalha com serviços essenciais (limpeza, coleta de lixo, hospitais, farmácias e supermercados) está se adaptando a uma nova realidade: a do isolamento social e do home office. O isolamento social é uma das medidas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para evitar o aumento no contágio e, posteriormente, o colapso dos sistemas de saúde – que não terão capacidade de atendimento caso os doentes se multipliquem.


Audrey Ventura de Azevedo, psicóloga.

Mas a nova situação de isolamento, além da quantidade de notícias com as quais estamos sendo bombardeados, pode desencadear estados emocionais ansiosos. Para entender melhor o fenômeno, conversamos com a professora Audrey Ventura de Azevedo, coordenadora do curso de Psicologia da PUC-PR (do campus Maringá, no Paraná). Além de professora do curso, ela é psicóloga e MBA em gestão de pessoas com mestrado em Psicogerontologia. Confira a conversa:

Estamos vivendo em tempos de muitas informações, o que pode gerar medo e pânico instalado. Como devemos nos preparar para filtrar essas informações e manter uma boa “higiene” emocional?

Não existe fórmula mágica. Mas é importante filtrar as informações que a pessoa tem e se realmente são informações que precisa ter acesso, ou se o que ela já tem já é o suficiente. Nós temos essa situação do coronavírus e todos já receberam informações de quais são os cuidados, o que devo evitar, como é o contágio e quais são os sintomas. Quando conseguimos entender que a situação é realmente complexa e complicada e que precisamos tomar cuidados importantes, porque a doença realmente pode causar a morte e tem consequências, eu não preciso ficar o tempo todo recebendo, por exemplo, informações das pessoas que estão morrendo. Várias estão, mas várias também estão se curando da doença. Esse tipo de pensamento, de notícia, aumenta a ansiedade. Parando de ter esse tipo de informação, a gente reduz um pouco essa ansiedade e começa a focar em outras coisas que sejam mais positivas para que enfrentemos o momento de maneira mais saudável.

Muitas pessoas têm aderido ao home office por conta do isolamento social solicitado pelas autoridades. Como as pessoas podem se preparar para essa “quebra” de rotina?

É difícil de se preparar porque é uma situação inusitada e inesperada. Todo o mundo foi pego de surpresa. Algumas empresas foram migrando gradualmente, mas a maioria foi do dia para a noite. Se preparar para a quebra de rotina é algo complexo, porque o ser-humano procura a rotina. Mas acredito que a pessoa deve ter consciência do que está acontecendo e da importância desse resguardo social, não pensando somente nele, mas também na família, no vizinho, nos amigos... Focar nas atividades que ele tem para entregar. Ter uma visão um pouco mais social da situação e manter a cabeça livre para trabalhar e produzir o que é necessário.

Como a pessoa que está acostumada a trabalhar em empresa ou escritório deve se preparar para uma rotina mais “solitária”, mesmo que temporariamente?

Às vezes, você está em um lugar completamente cheio de gente mas se sente completamente só (risos). Estar sozinho é algo complexo. Detalhes à parte, realmente é diferente, e o que costumamos orientar às pessoas é para não perder a rotina: tentar manter o horário que costuma acordar, por exemplo. Pode até acordar um pouco depois, mas manter a rotina de acordar, tomar café, sentar para trabalhar e executar as atividades como sempre faz. As redes sociais também nos aproximam e muitas empresas estão adotando as reuniões online, então dificilmente esta pessoa estará solitária. Mas é importante tentar manter a rotina próxima do dia-a-dia comum para manter a produtividade.

Como deve ser o espaço separado para o home office?

De preferência, um lugar não tão confortável como a cama ou o sofá (risos), porque a produtividade provavelmente vai cair. Evitar a proximidade com espaços de lazer, como a televisão, ou até com a família. Se possível, escolher um local mais reservado e calmo. Quem tem filhos, fica um pouco mais complicado, mas às vezes existe um espaço, como um quarto, onde se possa ficar um pouco mais reservado.

Quais suas dicas para se manter a produtividade?

Primeiro, encontrar um local na casa bacana para o trabalho, um pouco mais reservado; e tentar ao máximo não se envolver com os acontecimentos da casa; conversar com a família para que eles entendam essa situação. É necessário muito diálogo e evitar estar em ambientes que tem contato com lazer.

Como podemos também nos preparar par o lazer e o descanso em tempos de isolamento?

O lazer é muito relativo, sua definição depende muito da pessoa. Muitas pessoas já tem o hábito de fazer atividades de lazer dentro de casa mesmo. Hoje, por exemplo, tem uma moda de se fazer atividades físicas dentro e casa, com treino online... Deve se encontrar um momento para este tipo de atividade. O que precisa cuidar é que, por estar trabalhando em casa e ser uma extensão da própria casa, não conseguir desligar do trabalho por conta da proximidade dele. Quando a gente sai da empresa no final do expediente, é possível se desligar completamente. Quando estamos dentro de casa, é importante a pessoa ter essa consciência de se desligar completamente e ter os momentos de descanso.

Quais atividades podemos praticar para garantir também uma boa saúde mental?

Atividades que deem prazer! Pode ser uma atividade física, ver um filme, pode ser reunir a família (os membros daquela casa), jogar um jogo, dançar! Está liberado qualquer coisa que seja positiva para essa pessoa e que possa ser feita dentro do ambiente de casa.

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