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  • Foto do escritorDittrichi Comunicação

Gestor de obras precisa ter transparência na sua administração

A construção civil possui seus princípios de obras praticamente inalterados há séculos: ainda utilizamos o ferro, barro, areia, brita e cimento da mesma forma. Para se ter uma ideia, mesmo em obras milenares, existem os mesmos materiais que usamos hoje.

 

Ao longo de todo esse tempo, em qual ponto a construção se atualizou? Foram nos métodos de calcular os projetos. Nos dias de hoje, é praticamente feito através de programas que fazem o melhor cálculo possível, levando em conta as mais variadas possibilidades de alguma ação externa e também compatibilizando todos os projetos para que não haja nenhuma surpresa no decorrer da obra. Vale destacar que o maquinário teve uma relativa evolução, mas algo realmente tímido diante da evolução ao nosso redor dos últimos 30 anos. Na parte administrativa e contábil, temos ferramentas que nos ajudam a manter o controle de obra com erro zero.

 

Lá pela década de 80, um sistema foi criado para facilitar a aquisição de imóveis, que contemplava a administração de construção por um gestor ou construção a preço de custo. Basicamente, o sistema funciona da seguinte forma: um grupo é formado para custear a construção de um prédio que será gerida por uma pessoa que ficará responsável por toda administração do empreendimento. Ele recebe um percentual do valor gasto em toda obra; na teoria, o custo do imóvel deve ser bem abaixo do que o valor de venda de uma construtora. Esse sistema ajudou a moldar um novo perfil de profissional na área de gestão de construção de empreendimentos, algo que na década de 90 teve um enorme salto devido à grande procura nesse modelo de negócio por pequenos investidores.

 

O sistema seria “perfeito”, se não fosse por um detalhe: o administrador tem seus ganhos calculados com base no valor da obra; ou seja, quanto mais cara, mais o administrador ganha, resultando em uma incoerência total. Isso fez com que muitas construções tivessem seus valores mais altos devido a esse detalhe. Nos contratos, os administradores têm obrigação de apresentar três orçamentos, mas quanto irá se esforçar para realmente conseguir o melhor valor, já que quanto mais trabalha por preços melhores, menos vai ganhar?

 

Devido a isso, logo quando iniciei na área de gestão de obras, desenvolvi um sistema para trazer mais clareza e segurança aos investidores. Quando eu apresentava um projeto e o orçamento com estimativa de custo, já estipulava que a taxa de administração era fixa, pré-determinada percentualmente com base no custo apresentado. Com isso, qualquer que fosse a variação no custo do empreendimento, minha taxa de administração se mantinha inalterada. Esse simples detalhe demonstra clareza e segurança no negócio. Muitos administradores de obra tomaram esse sistema como regra em suas administrações. Temos que sempre estar em evolução, algo sempre pode ser mudado para melhor, basta boa vontade.

 

Charles Everson Nicoleit é gestor de obras e empresário com quase 30 anos de experiência nesse segmento. Também é membro de associações da construção civil, construção selo verde e sustentabilidade. Possui diversas certificações e cursos que o habilitam como referência no mercado de construção civil.

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